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quinta-feira, 7 de maio de 2009

O cortejo



Fazia anos que eu não via um caixão. Sabendo que ali dentro tem gente. Pois sábado passado, em Paraty, passou um cortejo fúnebre pelo Centro Histórico. Tarde de sol. Eu estava numa mesinha de bar, tomando uma caipirinha, de repente olho e vejo, na esquina, um caixão, carregado pelas alças por quatro homens, seguidos por mulheres com flores nas mãos e véus na cabeça, em um monte de gente atrás. Na cidade grande a gente não vê esses rituais, que, de alguma forma nos fazem lembrar dos ciclos da vida. Lembro de uma reportagem que fiz uma vez sobre o luto. Uma psicóloga especialista no tema me dizia que, hoje, as pessoas tem mais dificuldade em superar o luto, porque a morte ficou distante, em velórios tercerizados e produzidos. Outro dia li sobre uma empresa que tem um buffet para velórios vip, com comes, bebes, e lembrancinhas! Não se vela mais o ente querido na sala de estar. Nem na igreja. Segundo a psicóloga, essa proximidade, antigamente, ajudava a elaborar a perda. Uma coisa é "beber" à memória de quem se foi, lembrando dos bons momentos em vida. Outra é criar uma despedida fria e fake. No México, o Dia dos Mortos é uma festa colorida, com muita tequila, flores e catrinas sorridentes (caveiras), até em forma de docinhos. Bebe-se em memória dos amados, lembrando que a morte pode estar na esquina. Como o cortejo que passou, e me pareceu tão humano...

terça-feira, 28 de abril de 2009

Se essa moda pega...

Imagine a seguinte cena: você está lá no bem-bom com um mocinho, toda feliz da vida. A noite está linda e a coisa começa a pegar fogo. Você, como uma garota super prevenida e bem-resolvida, pergunta para o moçoilo se ele tem um preservartivo, pois só assim vocês podem dar sequência ao momento caliente. Ele, então, tira do bolso uma camisinha diferente: feita de tripa de ovelha. Tudo por causa do meio ambiente, já que os preservativos de látex demoram cerca de 300 anos para se decompor na natureza – e esse feito de tripa, apenas um. Seja sincera: você não inventaria um ótimo pretexto para sair correndo? Eu juro que iria embora. Pra mim, ecochatice tem limite! Ok, cuidar do planeta é absolutamente fundamental, mas ser ecologicamente correto até na hora da transa já é demais! Hoje soube que produtos “green” estão ganhando as prateleiras também dos sex shops. Agora existe vibrador solar – que dispensa o uso de pilhas –, camisinha orgânica (detalhe básico: que ajuda a evitar gravidez, mas não protege contra DSTs) e lubrificante natural! Fiquei apavorada! Já pensou se essa moda pega?

terça-feira, 7 de abril de 2009

O primeiro pedaço do bolo


Foi triste. Sábado passado eu vi Anita, minha filha de 5 aninhos, se sentir "de segunda". Ou pior: ela se sentiu em segundo lugar, em segundo plano... No coração da melhor amiga. Tudo aconteceu no aniversário da mãe dessa amiga. Festão. Muitos adultos e apenas três crianças pulando, correndo descalças entre a mesa dos pais e a pista de dança (enquanto o "djei-djei", como dizia Anita, testava luz e som). Antes que a carruagem das menininhas virasse abóbora para a festa se transformar num programa de adultos, chegou a hora do bolo. As três ali, saltitantes, mirando os brigadeiros e o glacê branco e pink. A filha da aniversariante no meio, Anita de um lado e a amiga número 2 do outro. Pois na hora de distribuir o bolo, a filha da aniversariante deu o primeiro pedaço para a amiga número 2... E Anita se sentiu a última! Chorou, chorou, mas um choro tão sentido que até eu entrei no drama, me lembrando de quando, por algum motivo, era preterida pelas amigas em alguma brincadeira ou programinha. Como dói! Acho que a amiga nem fez de caso pensado. Simplemente se virou para a direita e deu o bolo para a amiguinha mas próxima. Lembrei também do significado do primeiro pedaço do bolo. Ah, é uma espécie de declaração de amor. Quem ganha, pode mesmo "se sentir". É doce ganhar o primeiro pedaço. Tanto que, nem todos os brigadeiros que Anita engoliu junto com o choro serviram de consolo depois daquele "Parabéns". O segundo pedaço do bolo a gente nunca esquece... E você, qual foi a última vez que ganhou o primeiro pedaço? E qual a primeira vez na vida em que se sentiu "de segunda"?

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Malabarismo de segunda


Sabe aquela coisa básica de comprar um vasinho de flores alegres e preparar uma mesa toda colorida de café da manhã, com queijos, frutas, torradinhas, iogurtes e biscoitinhos? Depois sentar, curtir os primeiros raios de sol e o silêncio da manhã para então, entre um mamãozinho aqui, uma uvinha acolá e uma torradinha integral acompanhada de generosa xícara de café preto, começar lentamente a planejar o resto do dia? Pois bem, esse é o meu sonho no momento, que certamente não terá espaço na lista de resoluções para 2009 porque é um desejo que pretendo realizar ainda neste restinho de 2008. O único probleminha é o tal sonho é tão simples que nem apelar pro gênio da lâmpada eu posso. Seria ridículo. Dessa vez eu mesma terei de ser a heroína da minha história e arranjar - uma brechinha que seja - para acordar com tempo (ou seja, mais cedo do que de costume), ir ao supermercado, comprar pão, flores e frutas frescas e montar a minha mesa matinal. Só isso! É impressionante, dezembro começa e mundo vira de cabeça para baixo! Tudo que até então era simples e rotineiro, como fazer refeições decentes, ler os jornais, ir à manicure e fazer depilação, ganha status de “luxo”. Claro, todas as 24 horas do seu dia (uma vez que até os sonhos durante a noite são sobre o assunto) já estão ocupadas com ele, o trabalho. É pendência pra finalizar, é confraternização que não acaba mais, é estresse power-poderoso só de pensar que, em algum momento (provavelmente no dia 24, já que até lá a correria não permite) você terá que achar presentes de Natal em meio a milhões de pessoas que, exatamente como você, estavam imersas nesse caos fim da picada do fim de ano. Minha parceira Rô definiu brilhantemente essa época do ano num dos posts aí embaixo: uma segunda-feira que não acaba nunca! Enfim, aqueles que têm tido tempo de ler o Garotas (já que suponho que neste momento a grande maioria das pessoas vive dilemas e correrias semelhantes) certamente notaram que me ausentei até aqui do blog. E isso não é desculpinha esfarrapada não; é apenas um desabafo de uma garota de segunda que está tipo sambando enquanto faz embaixadinhas e cantando enquanto masca um Bubaloo. Tá todo mundo assim, se sentindo num malabarismo de segunda, ou sou só eu?

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Change


Eu jamais imaginei que um dia vestiria uma camiseta onde se lê "United States of America". Mas, detalhe: essa, tem a cara do Obama, e outras frases como: "Change: We can Believe in". Foi um presente de aniversário da minha irmã, que mora em Washington. Eu pedi: "Me traz uma camiseta da campanha do Obama!" Queria uma como essa aí do lado, histórica. Ela não achou mais, e me trouxe uma na linha turista, da lojinha do aeroporto que, claro, tem que ter o nome do país junto. Mas o melhor foi o e-mail que ela me passou antes. "Rô, a camiseta do Obama está cara! Mas a do MacCain está baratinha...". Sei lá o que vai dar essa "obamania" e o futuro dos States. Mas que minha camiseta fez sucesso hoje, ah, fez!

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Batida de segunda



Eu só lembro de estar ouvindo "Don't worry, be happy", com a Mart'nália, quando tudo parou: meu colo bateu forte na direção, minha filha rolou do banco de trás para o chão do carro, começou a sair fumaça do capô. Bati. Feio. E do jeito mais de segunda: na traseira. Chovia muito-muito em Paraty neste feriado. A ponto da Anita soltar essa pérola: "Se eu fosse a chuva, não choveria tanto...". Fiquei esperando passar o temporal, ficou tarde, e a chuva não parou de chover... Saí de noite, e naquele trecho, perto de Ubatuba, estava seco. Foi quando relaxei, Anita deitou para cochilar, e vacilei. O Passat 2008 da frente reduziu, para passar numa valeta, e eu não reduzi. Pow! O carburador furou, não dava para seguir. O dono do carro, que foi um gentleman, e se chama "Newman" (nunca conheci ninguém chamado assim, além daquele ator, Paul Newman), me deu carona até um posto 24 horas ali perto, para aguardar o socorro do seguro (ter seguro, aliás, é a única coisa de primeira nessa história). No caminho, imaginava o cara pensando: "Que mulher maluca!". De volta ao carro, quase meia-noite, ao lado do guincho, esperando o táxi do seguro, fiquei pensando na bobagem toda e no que aquilo tudo queria dizer: "Desacelere", foi o que me veio. Talvez por ter lido um post no blog da Valéria, "Luz no Fim do Túnel", dias antes. Foi a coisa mais inteligente que li sobre a crise até agora: que a crise é a luz no fim do túnel, porque o mundo está acelerado, e será obrigadao a desacelerar e se reinventar. Sorte que nem eu nem Anita nos machucamos. Sorte que tive para quem ligar E chorar. E reclamar. Sorte que tudo acabou bem. E hoje, segunda-feira, já estou mais slow motion... Sem nem saber ainda a conta da oficina! E você, já deu (ou levou) uma batida de segunda, ou de quinta? O que a batida quis te dizer?

terça-feira, 18 de novembro de 2008

São Paulo e suas mil e uma possibilidades...


Pode parecer estapafúrdio, mas a verdade é que pra mim, liberdade demais oprime. Dou nó quando alguém pede, por exemplo, um texto sobre “qualquer coisa”. É como se as mil e uma possibilidades me impedissem de criar, de produzir, sabe? Preciso de foco para funcionar bem. Pra conseguir organizar as idéias, e depois escolher o que quer que seja. Talvez por isso eu goste tanto desses especiais “O melhor da cidade” que pipocam de tempos em tempos nas bancas de jornais, afinal estou em São Paulo há dois anos e ainda queimo minha cachola na hora de propor um restaurante ou bar bacana. Minha tendência é a de sempre ir aos mesmos lugares, mas ao mesmo tempo adoro conhecer espaços diferentes - só preciso de uma mãozinha pra explorar mais a vida gastronômica e noturna aqui da babilônia. Fora que sempre me esqueço dos lugares que me indicaram, ou que simplesmente despertaram minha curiosidade só pela fachada bonitinha. Bom, mas enfim, todo esse blábláblá é pra contar que na semana passada folheei o especial da Revista Época São Paulo sobre o melhor da capital e adorei várias das categorias criadas para a publicação. Não é de primeira saber os melhores PFs de São Paulo? Ou os melhores pastéis? Ou, ainda, as três melhores esquisitices boas de comer? Eu já decidi: vou sempre dar uma espiadinha nesta revista antes de sair de casa. E mais: vou intimar minha parceira, Rosane, pra comer testículos de galo no Aperitivos do Valadares, que fica na Lapa - uma das três esquisitices eleitas. Será que ela topa?

terça-feira, 11 de novembro de 2008

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Muito além de um clássico dos botecos!


Tem expressão que, por si só, diz mais do que mil palavras. É o caso de “coxinha”, termo absolutamente rico e versátil que pode imprimir uma série de impressões, adjetivos e demais rótulos para pessoas, atitudes e comportamentos. Coxinha pode ser, por exemplo, “certinho”. Pode também ser “careta”, ou “nerd”. Pode ainda ser “chato”, “sem graça”, “sem sal”, “puxa saco” ou qualquer coisa nessa linha. Fala sério, você não possui diversos coxinhas em sua vida? Ou, pra ser mais filosófica e profunda: você não acha que todo mundo tem seus momentos de coxinhice? Eu tenho vários, admito. E também confesso que vivo usando termo “coxinha” em meu dia-a-dia. Acho sonoro, prático e bastante apropriado, visto que nunca se sabe exatamente o que a pessoa realmente quer dizer quando dispara que fulano ou cicrano é "coxinha demais". Fica sempre uma interrogação no ar... Estratégico, né? Só não faço a menor idéia de como e quando o salgadinho frito e recheado de frango desfiado, clássico de todo e qualquer boteco de primeira, de segunda e de quinta, foi associado ao comportamento humano... Esteticamente falando, a coxinha é tão básica! Forma de gota, douradinha... Fora que é saborosíssima! Por que então virou expressão de gente certinha e sem graça? Você tem alguma teoria?

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Visita de primeira


Que fique bem claro: esse post nada tem a ver com chacota. Absolutamente! Quem me conhece sabe que sou uma pessoa que respeita todo e qualquer papo 'místico', por assim dizer. Por isso, sou do time dos que adorariam ver uma nave no céu amanhã, dia 14 de outubro de 2008, conforme anunciado no vídeo abaixo. Sério. Estou super torcendo, até porque quando o assunto é ET, na hora me vem à mente a imagem daquela fofíssima criaturinha do filme do Spielberg, toda emboladinha num pano branco, voando na bicicleta, com a enorme lua ao fundo. Tão lindo! Não seria super de primeira descobrir que existem, sim, seres extraterrestres capazes de nos ajudar a construir um mundo melhor? Eu acho a idéia o máximo, e bastante pertinente. Por este motivo, vou olhar para o céu amanhã, esperançosa, em busca de algum sinal. E você?


PS: Vale ressaltar que, já de antemão, nossos amigos intergaláticos estão se mostrando bastante inteligentes e sensatos: aparecer por aqui numa segunda-feira, nem pensar...

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

A frase


A melhor sacada foi da Didi, minha assessora para assuntos domésticos e aleatórios, ontem à tarde, antes de encarar uma viagem de metrô até Itaquera para votar "no Kassab, porque ele não vai aumentar a passagem". Sei... Eu é que começo a avaliar uma hipótese se suborno: aumentar a verba de transporte dela, para ver se no segundo turno a coisa muda de figura.
E disse Didi: "Eles pegam bem o nosso dia de descanso... Já que tem que votar, por que não marcam logo na segunda-feira, e dão feriado pra todo mundo?"
Eu, particularmente, gosto de votar. Mesmo sem muita esperança, gosto do clima, da movimentação, mas ela tem razão: já que o voto é obrigatório, por que não lançar um feriado eleitoral? Bem na segunda-feira. Eu voto na Didi!

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Trabalhar às segundas-feiras é prejudicial à saúde


"Infarto é mais comum às segundas de manhã, aponta estudo". Parece título de algum post aqui do Garotas, eu sei, mas não se engane: essa foi uma das manchetes do UOL hoje. Ou seja, podemos concluir que o mundo científico já está avançando no sentido de conscientizar a população sobre o perigo que é encarar a labuta numa segunda-feira. Percebe como a moléstia que aqui batizamos como TPS tem fundamento? Não é coisa de gente preguiçosa não. Não se trata de corpo mole, quiçá vagabundagem. A coisa é séria, minha gente. Clique aqui e veja com seus próprios olhos...

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

A gente espera do mundo e o mundo espera de nós...


Diz aí: paciência é uma arte, não é? Eu sinceramente admiro muito as pessoas pacientes; acho o máximo quando vejo alguém que não se descabela com aquela barbeiragem cabeluda no trânsito, ou simplesmente não esquenta a cabeça se recebe uma mega chamada do chefe. Sou naturalmente estressada, apesar de parecer alguém relativamente zen. Ranjo os dentes quando sou obrigada a encarar uma fila de quinta no banco, tenho cólicas quando estou num engarrafamento de São Paulo e literalmente não respiro quando me sinto como um peixe fora d'água em determinadas situações do dia-a-dia. Fala sério: tem coisa mais de primeira do que se sentir em casa? Ah, como é bom! Como é bom conhecer as pessoas, os caminhos, as histórias... Em contrapartida, como é maravilhoso também mudar o rumo de nossa própria vida e trilhar caminhos mais felizes! A única coisa complicada, neste caso, é ter paciência com o re(começo)... Porque quando saímos de um trabalho antigo, por exemplo, e começamos um novo, apesar de toda a alegria e entusiasmo com o que está por vir, precisamos de um mínimo de tempo para que o desconhecido 'assustador' se transforme naquele velho conhecido aconchegante. Precisamos da tal da paciência - consigo, com o outro, com a vida. Então, querido leitor, aproveito esta noite abafada de quinta(feira) para presenteá-los com uma lindíssima música do Lenine e lançar a seguinte pergunta: o que você faz para exercitar essa virtude de primeira chamada paciência?

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Sobre fuscas e vinhos


Adoro fusquinhas, e não é de hoje que cultivo o sonho de adquirir um na cor vinho. Lindo, estiloso, charmoso... Tudo de bom! A questão é que, apesar de ser considerado um carro de segunda por muita gente, o danado vale ouro (isto é, se o comprador quiser ser dono de um automóvel não só bonito, mas também eficiente). Um dos comentários mais engraçados depois da entrevista que dei ao Saia Justa foi justamente o de uma moça que disse ter o carrinho dos meus sonhos. Quase escrevi pra ela, mas a questão é que apesar de achar cada vez mais indispensável ter um automóvel que me leve aqui, ali e acolá, levei um choque depois de retornar de minha viagem de primeira com essa lei seca ultra-mega-power-blaster radical. Porque eu adoro fusquinhas de cor vinho, sim, mas também adoro vinhos. E cervejas. E apesar de entender a importância da nova lei, confesso que ainda não consegui sacar qual será a nova dinâmica da vida social. Táxi é caro, né gente? Então me digam, o que vocês estão fazendo? Pararam de beber, de sair de casa ou de dirigir? Os últimos eventos que freqüentei (festinhas na casa de amigos, bares, etc. e tal), foram meio esquisitos. Uns bebem, uns não bebem; uns defendem, outros protestam com copo na mão. E todo mundo fica meio inseguro na hora de ir embora. Enfim, no último fim-de-semana me peguei meio confusa, meio perdida e sem opinião formada. Será que alguém pode me ajudar?

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

E pra Paloma nada... Tudo!!!

Gente, hoje é aniversário da Paloma!
Só podia cair numa segunda!
Vamos "dançar" um parabéns pra ela?
Muchos anos de vida, Palomita!

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Licença-felicidade


A dor de dente me pegou num sábado. Chuva, aspirina, cama, filha vendo desenho na sala. Passou no domingo, sumiu na segunda, voltou na terça com tudo. Tempo chato, trânsito, dentista, e a confirmação: era mesmo canal. De repente, tudo de importante fica fora de foco. Há poucas coisas mais urgentes do que uma dor de dente. Todas as desculpas são aceitas, todo mundo que tem dente, entende. A empregada capricha no café, a filha pergunta do dodói, a amiga indica o dentista, dá-se um jeito no trabalho. Na cadeira do dentista, com a boca aberta e anestesiada, penso que foi até bom ser 'interditada' pelo dente doente. No meio da loucura, tive 60 minutos inteiros para pensar em nada –ou seja, em tudo o que vem à mente numa cadeira de dentista. A lista do supermercado, os candidatos à prefeitura de São Paulo, as unhas por fazer, os desejos adiados, entre outras reflexões como: por que só as coisas ruins nos fazem parar tudo? Se a gente passa mal do estômago ou quebra a perna, tira um dia ou até uma licença do trabalho. Por que não criar uma “licença-felicidade”? Você liga e diz: “Desculpe, tive uma noite incrível, bebi com os amigos, ri muito, namorei e acordei numa alegria! Preciso tirar o dia para curtir um pouco mais, amanhã estou aí.” Não seria um motivo tão compreensível quanto uma dor de dente?


Ps: esse texto já tem um tempo. Lembrei dele ao ler o post da Palomita (abaixo) Minha amiga não está nem de licença, mas de férias-felicidade! Seja feliz todos os dias da semana, Paloma!

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Um dia de Lua


Uma pequena investigação sobre a origem da segunda-feira: a palavra vem do latim Secunda Feria, que significa (como não?) "segunda feira". A mesma expressão existe em galego (segunda feira), mirandês (segunda) e tétum (loron-segunda). Povos pagãos antigos reverenciavam seus deuses dedicando esse dia ao astro Lua, o que deu origem a outras denominações. Em espanhol diz-se lunes; em italiano lunedì, com o significado de Lua e dia da Lua. Outros povos reverenciavam deuses mitológicos. Em inglês diz-se monday, e em alemão, montag, que significam dia da Lua. Seria mais bonito se em português os dias da semana se chamassem segunda-Lua, terça-Lua, quarta-Lua. Porque, para piorar esse dia "de segunda", o sobrenome ainda é feira. Vocês não acham?

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Sexta-feira 13: um dia de quinta?



Você tem triscaidecafobia? Ou seja, medo do número 13? Eu não chego a tanto, mas sempre que o calendário marca sexta-feira 13, é inevitável lembrar que o azar existe. Mesmo que nada de sinistro aconteça. O estigma em torno do 13 vem de várias lendas. Uma delas, da mitologia nórdica, conta que Odin, chefe de uma tribo asiática, estabeleceu seu reino na Escandinávia. Para administrá-lo, Odin teria escolhido doze sábios. Para festejar, organizou um banquete Valhalla, a morada dos deuses. Loki, o deus do fogo e da discórdia, apareceu sem ser convidado e armou uma baita confusão, que acabou no assassinato de Balder, filho de Odin e preferido dos deuses. Daí começou a crendice de que 13 pessoas reunidas para um jantar é desgraça certa. A última ceia de Cristo remete à mesma superstição: participaram do jantarzinho os doze apóstolos e Cristo, num total de 13. Como terminou a ceia? Com a crucificação e morte de Cristo, numa sexta-feira. E mais: na antiga numeração hebraica, a letra que indicava o 13 era a mesma usada para a palavra morte. Eu, hein? Já os otimistas, que não ligam para a má fama do 13, se agarram na idéia de que o número reduz para 4 (1 + 3 = 4). E o 4 sería símbolo de sorte. Os mexicanos primitivos também consideravam o 13 santo. Adoravam, por exemplo, 13 cabras sagradas. Nos Estados Unidos, o 13 é o máximo. Eram 13 os Estados que inicialmente constituíam a Federação norte-americana. E a águia que estampa a nota do dólar tem 13 penas em cada asa. O que você acha? 13 é sinal de sorte ou azar?

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Papo de bêbado não vale


Um bêbado caiu de pára-quedas na minha mesa. Foi no bar Filial, lotado como sempre, uma noite dessas. Éramos dois casais e uma amiga, quando lá pelas tantas o baixinho quarentão, barba grisalha, jeans e jaqueta branca, puxou a cadeira, sentou e disse: "Preciso de um conselho. Estou apaixonado por uma menina de 22 anos...". Silêncio no tribunal. Marina, a amiga, olhava o sujeito de canto, na linha "que cara sem noção!". Íris e Afonso ficaram na deles, pagando para ver. Mauricio, meu partner, resolveu botar pilha no bêbado: "Você faz o quê da vida, além de sentar na mesa de quem não conhece?", perguntou. Ele respondeu que era cineasta e tal, e eu emendei: "Por que escolheu justamente a nossa mesa?". "Boa pergunta!", ele se animou, como um palestrante de auto-ajuda. E, correndo os olhos pelos integrantes da mesa, em sentido horário, apontou primeiro a Marina: "Escolhi essa mesa porque ela tem uma cara inteligente", depois a Iris, "Porque ela tem uma cara inteligente", e depois o Afonso, "Porque ele tem uma cara inteligente", até chegar a mim: "... E porque ela tem uma cara 'razoavelmente' inteligente..." A mesa veio abaixo! Logo eu, que fiz a melhor pergunta! Bom, para resumir a ópera, ele ainda choramingou um tempo pela tal garota de 22 anos, que teria dito a ele que não quer se envolver porque "sempre esteve no controle", e com ele havia perdido o controle dos sentimentos (que desculpa furada!), enquanto Marina insistia que éramos todos membros da Igreja Universal do Reino de Deus, para ver se o bêbado debandava. Até que Afonso saiu de fininho e voltou com Joaquim, o garçom. Na maior calma do mundo, como se fizesse isso diariamente, Joaquim pegou a mochila do bêbado (ele tinha uma mochila!), e depois o bêbado, pelo braço. O mais engraçado é que ele acompanhou Joaquim, resignado, como um garotinho que pega sua mochila porque a perua da escola chegou para buscá-lo. E eu, ao contrário da minha colega Paloma, que se diz "psicóloga de botequim de segunda", vi que não tenho talento para a coisa. Papo de bêbado é sempre de quinta, mas vale umas risadas de primeira. Em tempo: no cardápio de carnes de segunda do Filial, tem "moelada" com fritas. Alguém se habilita?

segunda-feira, 31 de março de 2008

Antes terça do que nunca


É impressão minha ou a segunda não cabe na segunda? A minha começou assim: Anita, a filhota de 4 anos, com febre de 39 graus desde a noite de domingo. Levanto para buscar mais uma dose de Tylenol. Dez da manhã e nada da empregada chegar. Pia cheia de louça. Caos. Toca o telefone, ligação a cobrar. Ela me diz que os ônibus de Aruja estão em greve, as peruas lotadas demais, que não consegue vir. Talvez depois do almoço... Sinto que preciso passar um e-mail para o meu trabalho. A internet está fora do ar (???). Ligo para o pediatra, o telefone dá ocupado, ocupado, ocupado. A internet volta. Tento entrar no meu e-mail e o endereço que digito todos os dias não existe (!!!). Penso que, se o mundo acabar, vai ser numa segunda-feira! Onze horas. Só um café me salva. Finalmente o pediatra atende. Preciso chegar lá em quarenta minutos. Visto o jeans com o blusão mal-dormido mesmo. Enrolo Anita sonolenta no edredon e entro no carro. Nem tudo está perdido: o trânsito na av. Paulista está livre e o dia lindo. Anita acorda de bom humor e sem febre. Volta do pediatra com um pirulito na boca e uma receita simples: basta vigiar a febre e aplicar um descongestionante nasal. A segunda começa a entrar no lugar. Mas so agora, antes que seja terça, consigo escrever esse post –para esse blog engatar a segunda!