
Fazia anos que eu não via um caixão. Sabendo que ali dentro tem gente. Pois sábado passado, em Paraty, passou um cortejo fúnebre pelo Centro Histórico. Tarde de sol. Eu estava numa mesinha de bar, tomando uma caipirinha, de repente olho e vejo, na esquina, um caixão, carregado pelas alças por quatro homens, seguidos por mulheres com flores nas mãos e véus na cabeça, em um monte de gente atrás. Na cidade grande a gente não vê esses rituais, que, de alguma forma nos fazem lembrar dos ciclos da vida. Lembro de uma reportagem que fiz uma vez sobre o luto. Uma psicóloga especialista no tema me dizia que, hoje, as pessoas tem mais dificuldade em superar o luto, porque a morte ficou distante, em velórios tercerizados e produzidos. Outro dia li sobre uma empresa que tem um buffet para velórios vip, com comes, bebes, e lembrancinhas! Não se vela mais o ente querido na sala de estar. Nem na igreja. Segundo a psicóloga, essa proximidade, antigamente, ajudava a elaborar a perda. Uma coisa é "beber" à memória de quem se foi, lembrando dos bons momentos em vida. Outra é criar uma despedida fria e fake. No México, o Dia dos Mortos é uma festa colorida, com muita tequila, flores e catrinas sorridentes (caveiras), até em forma de docinhos. Bebe-se em memória dos amados, lembrando que a morte pode estar na esquina. Como o cortejo que passou, e me pareceu tão humano...

















