Vamos dar um tempo -- e ter uma segunda-feira livre! -- em ritmo de festa! Voltamos na segunda (como não?), 5 de janeiro de 2009. E para o ano que vem, aguardem, que teremos novidades aqui no Garotas!
Quer fugir da festa da firma? A dica de primeira é o show "O Sertão na Canção", idealizado por Jean Garfunkel, grande compositor e amigo, que acontece hoje no espaço Cachuera. Aliás, a proposta do espaço parece bem bacana. Vale conhecer...
"Pai Herói", novela de Janete Clair, é a primeira trama que eu me lembro de ter assistido. Escondida dos meus pais... Isso lá pelos anos 70, eu devia ter uns 9 aninhos, mas já tinha essa alma noveleira de segunda. Eu adorava o caso de amor de Elisabeth Savalla e Tony Ramos. Agora, quase madrugada, passando de um túnel a outro do Youtube, não lembro como cheguei a esses vídeos de novelas antigas e chapei. Esse clipe, com a música "Allouette" (Denise Emmer, soube agora o nome da cantora, mil anos depois), me fez ficar tonta, emocionada. Porque eu sabia cantar essa música inteirinha, em francês, decór! Tropeçando em algumas palavras que acabava inventando, claro. El tiempo passa... Como os atores eram jovens nesse clipe! E eu aqui, com meus 39 anos (récem-feitos, tá?), lembrei de quando brincava de estrela com minhas primas, em Presidente Prudente... cantando em francês e sonhando ser a Elisabeth Savalla! Putz, que de segunda... E por que eu me emocionava com essa novela, aos 9 anos? Alguém se lembra dessa música, alguém se lembra disso?!
Sabe aquela coisa básica de comprar um vasinho de flores alegres e preparar uma mesa toda colorida de café da manhã, com queijos, frutas, torradinhas, iogurtes e biscoitinhos? Depois sentar, curtir os primeiros raios de sol e o silêncio da manhã para então, entre um mamãozinho aqui, uma uvinha acolá e uma torradinha integral acompanhada de generosa xícara de café preto, começar lentamente a planejar o resto do dia? Pois bem, esse é o meu sonho no momento, que certamente não terá espaço na lista de resoluções para 2009 porque é um desejo que pretendo realizar ainda neste restinho de 2008. O único probleminha é o tal sonho é tão simples que nem apelar pro gênio da lâmpada eu posso. Seria ridículo. Dessa vez eu mesma terei de ser a heroína da minha história e arranjar - uma brechinha que seja - para acordar com tempo (ou seja, mais cedo do que de costume), ir ao supermercado, comprar pão, flores e frutas frescas e montar a minha mesa matinal. Só isso! É impressionante, dezembro começa e mundo vira de cabeça para baixo! Tudo que até então era simples e rotineiro, como fazer refeições decentes, ler os jornais, ir à manicure e fazer depilação, ganha status de “luxo”. Claro, todas as 24 horas do seu dia (uma vez que até os sonhos durante a noite são sobre o assunto) já estão ocupadas com ele, o trabalho. É pendência pra finalizar, é confraternização que não acaba mais, é estresse power-poderoso só de pensar que, em algum momento (provavelmente no dia 24, já que até lá a correria não permite) você terá que achar presentes de Natal em meio a milhões de pessoas que, exatamente como você, estavam imersas nesse caos fim da picada do fim de ano. Minha parceira Rô definiu brilhantemente essa época do ano num dos posts aí embaixo: uma segunda-feira que não acaba nunca! Enfim, aqueles que têm tido tempo de ler o Garotas (já que suponho que neste momento a grande maioria das pessoas vive dilemas e correrias semelhantes) certamente notaram que me ausentei até aqui do blog. E isso não é desculpinha esfarrapada não; é apenas um desabafo de uma garota de segunda que está tipo sambando enquanto faz embaixadinhas e cantando enquanto masca um Bubaloo. Tá todo mundo assim, se sentindo num malabarismo de segunda, ou sou só eu?
Essas fotos são de Kaan Zeren, amigo que mora em Paraty e está passando uns dias hospedado em minha casa, em São Paulo, "Depois de bater a cabeça numa pedra, na praia de Trindade", diz ele, aqui ao meu lado (ele veio fazer umas radiografias da cuca). Kaan, 30 anos, é da Turquia, trabalha em Paraty como cozinheiro do restaurante Thai Brasil, vive com a bela alemã Christina, e passa ao menos seis meses por ano viajando pelo mundo, e captando, com seu olhar peculiar, cenas como essas. Cenas de segunda, de quinta, que acontecem na América Latina, ali na esquina, em tantos lugares do planeta... Por essas e outras, eu o convidei para respoder o Quiz GS, depois de traduzir o que significam as axpressões (tão brasileiras...) de segunda, de quinta, de primeira. Bem, parece que ele entendeu:
1 Minha definição de segunda-feira: um dia como qualquer outro, porque não tenho rotina fixa. Nem sei que horas são, ao longo do dia
2 Uma receita de primeira com ingredientes de segunda: almôndegas
3 Uma balada de segunda (-feira): beber para chegar na terça
4 "Parece de segunda, mas é de primeira...": andar de ônibus
5 "Parece de primeira, mas é de segunda...": fazer compras no shopping
6 Uma pessoa de primeira: Mohamed Ali
7 Uma atitude de quinta: matar o tempo
8 Um programa de quinta: ver os telejornais noturnos
9 Um dia em que eu me senti de segunda: num hospital público, aguardando atendimento, e o médico me disse que, por não ser brasileiro, deveria ir ao meu país para ser atendido...
10 Um antídoto contra a TPS (tensão pré-segunda): em Paraty, sair de barco ou fazer um churrasco na cachoeira
A sensação é de que essa época do ano é como uma segunda-feira prolongada. Que só vai virar terça na véspera do Natal! São Paulo está uma muvuca só. E começam a pintar as agendas 2009, para marcar as novas segundas-feiras... São 48 por ano, oh, céus! Mas agenda nova eu gosto, adoro passar a limpo os nomes, os telefones. Já ganhei 2 superbacanas de aniversário. A primeira, da Palomita, com capa em tecido estampado de libélulas, de primeira para levar na bolsa. A outra, da Isolda, é uma agenda musical, a "Agenda da Toca", temática, feita de "músico para músico", como diz minha amiga compositora das boas. Aproveito, então, para indicar o mimo para quem faz música ou tem amigos músicos: eles vão amar! A agenda traz links com gravadoras, selos, sites e escolas de música + dicas para novos compositores, e tem até algumas páginas de pauta musical, para anotar aquela melodia que pode pintar num insight. Aqui em Sampa, está à venda na Livraria da Vila da Fradique, e pelo Brasil, no site da editora da Isolda, a Tocadisc. Comprar presentes pela internet, aliás, é uma mão na roda. Eu vou usar as duas agendas que ganhei: a da Palomita na bolsa, e a da Isolda em casa, pertinho do meu piano novo. Quem sabe eu não me inspiro e começo a compor também? Quem sabe eu não risco todas as segundas-feiras e guardo esse dia só para fazer o que der na telha? Ah, que sonho... O que você faria se pudesse ter todas as segundas-feiras free?
Quarta-feira sempre foi pra mim um dia meio incógnita – nem de primeira, como a sexta, nem de quinta, como a segunda. Como está bem no meio da semana, rola aquela coisa de se recuperar do que passou e sonhar com o que está por vir – uma sensação meio confusa, meio paradoxal, na minha opinião. Agora, porém, a quarta se transformou em um dia mega de primeira, já que termina com dança: eu e minha parceira Rô começamos a fazer aulas de flamenco e estamos absolutamente encantadas com as palmas, sapateados e passos de sevillanas. Olé! Meu único problema é manter o equilíbrio em cima do salto alto: como sou adepta do estilo ‘rasteirinha’, mal sei andar direito com um saltão, visto que até nos casamentos e formaturas acabo tirando os sapatos na primeira oportunidade. Acho o salto um luxo, mas no pé dos outros. Os meus doem! Enfim, mas como eles são fundamentais no flamenco, estou tendo que aprender na marra – da mesma maneira como também estou tendo que aprender a bater os pés no chão, com firmeza. A Rô disse uma frase de primeira quando começamos nossa aventura pela cultura espanhola: o flamenco nos ensina a bater os pés e levantar a cabeça. Achei o máximo! Em outras palavras, flamenco é atitude! É intensidade, é vitalidade. Tudo bem que ainda é bastante cedo para avaliar qualquer tipo de evolução psicológica, mas daqui a um ano eu tenho certeza que serei uma pessoa muito mais firme – em todos os sentidos. Por isso, como maria-mole aspirante a mulher maravilha, “flamenco, eu recomendio”!
Eu jamais imaginei que um dia vestiria uma camiseta onde se lê "United States of America". Mas, detalhe: essa, tem a cara do Obama, e outras frases como: "Change: We can Believe in". Foi um presente de aniversário da minha irmã, que mora em Washington. Eu pedi: "Me traz uma camiseta da campanha do Obama!" Queria uma como essa aí do lado, histórica. Ela não achou mais, e me trouxe uma na linha turista, da lojinha do aeroporto que, claro, tem que ter o nome do país junto. Mas o melhor foi o e-mail que ela me passou antes. "Rô, a camiseta do Obama está cara! Mas a do MacCain está baratinha...". Sei lá o que vai dar essa "obamania" e o futuro dos States. Mas que minha camiseta fez sucesso hoje, ah, fez!
Sempre tive muitos amigos. Amigos de verdade, amigos de balada, amigos de infância, amigos de boteco, amigos de amigos. Pudera: passei 24 anos da minha vida morando na mesma cidade. Fora isso, nunca fiz o tipo ‘nômade’: freqüentei apenas dois colégios na vida, uma universidade e alguns poucos bares (pra não dizer um único, no qual tenho até hoje o privilégio de pendurar a conta, caso esteja sem um puto na carteira). Enfim, passei ¼ de século rodeada de pessoas, rostos, ruas e lugares conhecidos, até que um dia veio a vontade de mudar de emprego, de cidade e de vida. O que antes era confortável e aconchegante se transformou em absolutamente novo e caótico: São Paulo tem uma dinâmica completamente diferente da de Campinas. A distância é pequena: 100 míseros quilômetros, mas o fato é que a rotina – inclusive das relações – é absolutamente mais complexa. Aqui tem o trânsito. Aqui tem a correria. Aqui todo mundo vive atribulado, ocupado, sem tempo. Talvez por este motivo eu preze tanto os amigos verdadeiros que fiz desde que cheguei (e que busco manter com toda a dedicação do mundo). Rosane é um deles, sem a menor sombra de dúvida. Me lembro bem do dia em que a vi pela primeira vez: bastou uma rápida conversinha para que eu já saísse encantada com seu jeito doce, seu estilo fashion e suas lindas madeixas encaracoladas. O resultado disso? Bem, hoje a Rô é simplesmente uma pessoa indispensável na minha vida. E isso, de certa maneira, envolve vocês, queridos leitores, pois foi dessa amizade bacana que nasceu este blog. Por este motivo, convido a todos para cantarem comigo um sonoro e alegre ‘parabéns a você’ para minha parceira, que hoje, 29 de novembro, completa mais uma primavera. Porque muito mais do que amiga, jornalista, esposa e mãe, a Rô é uma MULHER DE PRIMEIRA, que merece ser sempre muito, muito feliz. Vamos lá?
Eu já tinha "alertado", aqui, sobre o recheio do chiclete Babaloo, que diminuiu sensivelmente -basta mordê-lo para comprovar. Mas tem outra coisa, dessas que caem para a segunda divisão, me irritando: os cheques de maquininha do Bradesco. Primeiro, que banco já me cansa, por tabela. Sou uma garota à moda antiga, ainda apegada a folhas de cheques. Me sinto segura com um talão na bolsa. Se tudo falhar, o cartão, o visaelectron, tenho aquela folhinha que me salva. E adoro um chequinho pré-datado... Gosto de anotar as compras no canhoto. Minha ruína. Então, vez ou outra recorro ao caixa eletrônico para pegar um talão express. E já faz tempo que o talão se transformou naquela folha imensa e picotada, que eu mesma tenho que destacar, e sem ter depois como prendê-las. Isso vira uma zona dentro da minha bolsa, que já é o triângulo das bermudas. Os canhotos se perdem, as folhas amassam, fica tudo de quinta. Daí leio que o Bradesco foi o banco que mais faturou em 2008. E me sinto de segunda, porque contribuí bastante para o lucro --deles. Quando eu ficar rica, não quero ser Prime. Mudo de banco, mas será que adianta? Pelo tanto que eles ganham em cima da grana dos clientes, deveriam nos receber nas agências com champanhe e massagem. E os talões de cheques tinham de voltar a sair da maquininha lindos e montados. Alguém pode me dizer porque as taxas só aumentam, enquanto o serviço é cada vez mais de quinta?
Li ontem na Folha Online que está rolando ciumeira entre os integrantes do CQC, programa de primeira exibido as segundas na Band. Nunca fui muito nerd de tevê, mas confesso que sempre espero ansiosa para conferir as tiradas rapidérrimas e ácidas de Marcelo Tas e sua turma engravatada. Sou fã declarada dos caras, e já tinha notado na semana passada um clima meio sinistro sempre que o apresentador Marcos Luque tentava fazer alguma piada (sem graça, vale ressaltar). Na edição de ontem, a coisa ficou ainda mais evidente, quando Tas, entre uma gargalhada e outra, com certa sutileza, fez questão de afirmar que Luque nunca decora seus textos - o que imagino que seja verdade, visto que seus comentários nunca me arrancaram um sorrisinho sequer. Por este motivo, fiquei com a maior cara de ué quando percebi que, a partir do 'delicado' puxão de orelha em rede nacional, a platéia passou a aplaudi-lo com mais afinco. Seria porque ele é integrante do Terça Insana? Gente, ok, o cara pode ser ótimo no palco, mas no caso do CQC as tiradinhas dele são tão sem sal... Enfim, pitacos à parte, só espero que o programa não seja prejudicado ou se transforme numa disputa de egos inflados – caso contrário, a chance de chorar de rir numa segundona braba será mínima (pra não dizer nula). Em tempo: vale a pena dar uma espiada no blog do repórter Danilo Gentili. O texto não é aqueeeela maravilha (o próprio site do CQC é estranhamente cheio de errinhos!), mas o humor, que neste caso é o que realmente interessa, é nota 10!
Eu só lembro de estar ouvindo "Don't worry, be happy", com a Mart'nália, quando tudo parou: meu colo bateu forte na direção, minha filha rolou do banco de trás para o chão do carro, começou a sair fumaça do capô. Bati. Feio. E do jeito mais de segunda: na traseira. Chovia muito-muito em Paraty neste feriado. A ponto da Anita soltar essa pérola: "Se eu fosse a chuva, não choveria tanto...". Fiquei esperando passar o temporal, ficou tarde, e a chuva não parou de chover... Saí de noite, e naquele trecho, perto de Ubatuba, estava seco. Foi quando relaxei, Anita deitou para cochilar, e vacilei. O Passat 2008 da frente reduziu, para passar numa valeta, e eu não reduzi. Pow! O carburador furou, não dava para seguir. O dono do carro, que foi um gentleman, e se chama "Newman" (nunca conheci ninguém chamado assim, além daquele ator, Paul Newman), me deu carona até um posto 24 horas ali perto, para aguardar o socorro do seguro (ter seguro, aliás, é a única coisa de primeira nessa história). No caminho, imaginava o cara pensando: "Que mulher maluca!". De volta ao carro, quase meia-noite, ao lado do guincho, esperando o táxi do seguro, fiquei pensando na bobagem toda e no que aquilo tudo queria dizer: "Desacelere", foi o que me veio. Talvez por ter lido um post no blog da Valéria, "Luz no Fim do Túnel", dias antes. Foi a coisa mais inteligente que li sobre a crise até agora: que a crise é a luz no fim do túnel, porque o mundo está acelerado, e será obrigadao a desacelerar e se reinventar. Sorte que nem eu nem Anita nos machucamos. Sorte que tive para quem ligar E chorar. E reclamar. Sorte que tudo acabou bem. E hoje, segunda-feira, já estou mais slow motion... Sem nem saber ainda a conta da oficina! E você, já deu (ou levou) uma batida de segunda, ou de quinta? O que a batida quis te dizer?
Pode parecer estapafúrdio, mas a verdade é que pra mim, liberdade demais oprime. Dou nó quando alguém pede, por exemplo, um texto sobre “qualquer coisa”. É como se as mil e uma possibilidades me impedissem de criar, de produzir, sabe? Preciso de foco para funcionar bem. Pra conseguir organizar as idéias, e depois escolher o que quer que seja. Talvez por isso eu goste tanto desses especiais “O melhor da cidade” que pipocam de tempos em tempos nas bancas de jornais, afinal estou em São Paulo há dois anos e ainda queimo minha cachola na hora de propor um restaurante ou bar bacana. Minha tendência é a de sempre ir aos mesmos lugares, mas ao mesmo tempo adoro conhecer espaços diferentes - só preciso de uma mãozinha pra explorar mais a vida gastronômica e noturna aqui da babilônia. Fora que sempre me esqueço dos lugares que me indicaram, ou que simplesmente despertaram minha curiosidade só pela fachada bonitinha. Bom, mas enfim, todo esse blábláblá é pra contar que na semana passada folheei o especial da Revista Época São Paulo sobre o melhor da capital e adorei várias das categorias criadas para a publicação. Não é de primeira saber os melhores PFs de São Paulo? Ou os melhores pastéis? Ou, ainda, as três melhores esquisitices boas de comer? Eu já decidi: vou sempre dar uma espiadinha nesta revista antes de sair de casa. E mais: vou intimar minha parceira, Rosane, pra comer testículos de galo no Aperitivos do Valadares, que fica na Lapa - uma das três esquisitices eleitas. Será que ela topa?
Se segunda-feira é o dia oficial dos começos – dieta, academia, projetos, etc. e tal -, podemos dizer que o “ano novo” é o período oficial das grandes mudanças. Quem não faz uma listinha (mesmo que imaginária) de todas as atitudes e ações que pretende adotar após o reveillon? É clássico! Básico! Em dezembro passado, colei na minha geladeira um papel com tudo o que pretendia implementar em minha vida em 2008. Ainda está lá, exposto, para que até o último dia deste ano, eu não esqueça nem um momentinho sequer dos compromissos internos que eu assumi comigo mesma. Hoje, enquanto tomava café, rapidamente bati os olhos no papelzinho, e um tópico em especial me chamou a atenção: “ser feliz todos os dias”. Olha que desejo mais complexo! Por alguns instantes, parei para refletir sobre o conceito de “felicidade”, e em seguida perguntei a mim mesma se eu havia conseguido realizar este sonho até hoje, segunda-feira, 17 de novembro de 2008, 13h19. Depois de silenciar os pensamentos e abastecer minha xícara com mais um pouco de café, me vieram duas respostas. Uma, confesso, bastante simplória e conformista: “ninguém consegue ser feliz todos os dias. E as segundas-feiras? E as brigas com o namorado? E as broncas do chefe? Que desejo mais irreal, mais surreal!”. Já a outra foi bem mais subjetiva, porém mais honesta por não conter tantos julgamentos ou idealizações: “ser feliz é se entregar, é viver com intensidade, todos os dias. Não significa acordar gargalhando, mas tem tudo a ver com olhar para trás e pensar ‘dei o meu melhor à vida, às oportunidades, às pessoas que amo, e não me arrependo de nada, absolutamente nada do que fiz'”. Fiquei com a segunda resposta, pois é exatamente esse o meu conceito de felicidade: não ter medo de se entregar, se jogar pra valer - mesmo que isso gere alguns galos na cabeça depois. E pra você, o que é ser feliz? Já começou a bolar alguns itens da listinha de desejos para 2009?
Há quem ache o Natal uma festa de segunda. Claro, tem os chatos, os amigos (ou inimigos?) secretos, o lado comercial da coisa, os panetones esmigalhados, e principalmente a tristeza de quem não tem família ou grana. Com todas essas ressalvas, confesso, eu adoro o Natal! Gosto do colorido, das luzes, do clima de festa. E mais ainda porque tenho uma filha de 5 anos, que ama tudo que brilha, e ainda tem a sorte de acreditar em Papai Noel. Então, lá em casa o Natal chegou cedo. Sábado passado eu e Anita saímos atrás de enfeites para fazer a árvore mais colorida do mundo. Esse era o nosso conceito, depois de avaliar alguns outras idéias temáticas como uma árvore inspirada no mar, com conchas e sereias, ou "picante", enfeitada com pimentas. O modelito kitsch multicolorido pareceu mais fácil e divertido, até porque, a idéia era gastar o mínimo. Conseguimos, graças a uma dessas lojinhas de festas e bugigangas da Teodoro Sampaio. Tem várias, mas entrei na primeira que vi, a "J. Marrash", no 2.144. E lá mesmo resolvi tudo. O melhor são as luzinhas. Encontrei um pisca com as minilâmpadas encapadas de micropacotes de presentes coloridos (R$ 19,90). Tem também os piscas de bolinhas de natal e estrelas vazadas, com as luzes dentro. E esses(coreanos, acho) têm um timer para iluminar de três maneiras: piscando rápido, mais devagar, ou em cores alternadas. Não é de primeira? Fizemos a árvore mais colorida do mundo, com presentinhos, anjinhos, bolas mil, e dois tipos de pisca, por um precinho do Peru. Claro que não tem aquele chiquê dos enfeites de uma Cecilia Dale da vida. São pacotinhos de R$1,99. Mas o que importa? De primeira mesmo é criar uma decoração original. Para quem não quiser se jogar na 25 de março, fica a dica da Teodoro. E, você, acha o natal de segunda ou de primeira?
Sou uma boa vizinha. Não fico dando piti à toa (até porque moro sozinha), não escuto funk carioca no último volume (até porque não suporto funk carioca) e não organizo mais baladinhas semanais até altas horas (até porque tô ficando velha e não consigo mais dormir tarde e acordar cedo). Ou seja, o que quero dizer aqui é que acho muito difícil que qualquer vizinho do meu prédio tenha algum tipo de reclamação a fazer sobre a minha pessoa. Tudo bem, não sou do time dos que têm tolerância zero com os barulhos alheios, mas acho que quando você resolve morar em um apartamento, deve ter em mente que nunca mais vai poder se expressar sem bom senso. Explico: morando numa casa, brigar com o namorado bem na porta de entrada, por exemplo, não irrita ninguém (a não ser o coitado do namorado), mas em um prédio é algo absolutamente ABOMINÁVEL e DESELEGANTE para os outros moradores, concorda? Pois bem, acho que minha vizinha nunca se deu conta de que todas as vezes em que ela despacha o namorado aos berros, estou bem pertinho, atrás da minha porta, espumando de raiva por causa do tropé de quinta. Afinal, nem as paredes grossas de um predinho antigo, como o meu, são capazes de barrar o som ardido e desagradável do escândalo de um casal. No caso da música, mesma coisa: quem disse que todos os moradores querem ouvir a mesma trashice que você está ouvindo? Aliás, eis uma ótima pergunta: por que as pessoas que adoram escutar músicas no último volume (seja em casa, seja no carro) SEMPRE são fãs de músicas da pior qualidade possível?
Outro dia fui a uma palestra do cientista pernambucano Silvio Meira, tido como uma das cem pessoas mais influentes do Brasil (segundo lista da Exame). Era um papo sobre tecnologia promovido pela agência Talent. Silvio falava das muitas mudanças tecnológicas que nos esperam nos próximos dez anos e de como a internet mudou radicalmente nossa vida e relacionamentos. Lá pelas tantas, ele mostrou, como exemplo dos fenômenos que acontecem na rede, a novela "Mina e Lisa", de produção (quase) caseira, exibida apenas no Youtube, que chegou a ter 1 milhão de espectadores. Isso mesmo. 1 milhão. Uma novela sobre o cotidiano e os dramas de duas adolescentes japonesas no Brasil. Silvio disse que a tal novela era feita por um sujeito chamado Helio Ishii... Pensei: "É o pai do Caio!". Explico: o Caio é um garotinho de 4 anos, a coisa mais fofa, amigo de escolinha da minha filha. Em uma festinha infantil da vida, Helio havia comentado que produzia uma série na internet, e não dei muita bola. Passou. Depois da tal palestra, reencontrei Helio e finalmente entrei no link de "Mina e Lisa". Só vendo. O texto é bem sacado e a trilha sonora japa, de uma cantora chamada Haikka, de primeira (adorei a canção "Nananana")... Dá uma olhada:
Por essas e outras, convidei Helio Ishii, "um diretor de terceira", como ele se auto-define para responder nosso Quiz GS (Garotas de Segunda). Ele, que na verdade é de primeira (em tempo: é o cara de óculos com roteiro na mão, na foto do topo), conta que a idéia de "Mina e Lisa" pintou depois de produzir dois documentários sobre brasileiros que tentaram a vida no Japão. Helio conhecia duas garotas de 15 anos que viviam sozinhas em São Paulo porque os pais se mandaram do país. Elas inspiraram a ficção. "Não havia pretensão quanto a forma ou conteúdo. Queríamos falar de nós mesmos, vaidade de pessoas sem graça, meio sem rumo, meio esquecidas, com dramas pequenos mas não idiotas", diz ele. Depois de 24 capítulos, produzidos a partir de 2007, Helio está retomando (a pedidos) a criação de novas histórias. "É produção de segunda", avisa. "Ninguém ganha nada. Quase tudo emprestado. Nosso almoço é um cuscuz feito pela empregada de um amigo. Sem avisar, sem planejar, sem querer." Com vocês, o fantástico "pai do Caio":
QUIZ GS
1 Minha definição de segunda-feira: dia cru
2 Uma receita de primeira com ingredientes de segunda: Mina e Lisa
3 Uma balada de segunda (-feira): boteco do bairro pra beber e voltar a pé
4 "Parece de segunda, mas é de primeira...": Séries de internet
5 "Parece de primeira, mas é de segunda...": Séries de internet
6 Uma pessoa de primeira: Convictas de segunda
7 Uma atitude de quinta: Controle na internet
8 Um programa de quinta: Windows
9 Um dia em que eu me senti de segunda - Qual a outra opção?
10 Um antídoto contra a TPS (tensão pré-segunda): Ter filho
A novela das oito que se cuide... E você, costuma ver séries na internet?
Se tem uma coisa que eu invejo em algumas pessoas é a habilidade de elaborar respostas rápidas e certeiras. Tipo um tapa com luva de pelica, sabe? Tão rápido, tão ágil, que o alvo sequer tem tempo de revidar. Perde o chão. Hoje, por exemplo, estava a caminho do trabalho, num mega trânsito de segunda (e na segunda!), quando fui obrigada a frear o carro repentinamente por conta do sinal vermelho. Como havia parado em cima da faixa de pedestres, fui logo engatando a ré e voltando alguns centímetros – controlando tudo pelo retrovisor, obviamente. Pois bem, aí o cidadão que dirigia o carro de trás disparou a buzina por vários segundos seguidos - naquele estresse básico da segunda-feira - e eu olhei pra trás com cara de “é claro que estou te vendo, mané”. Logo depois o sinal abriu e o cara teve a pachorra de enfiar a cabeçona pra fora e esbravejar, em alto e bom tom: “é que mulher no volante é perigoso, sabe como é!”. Eu fiquei tão perplexa com essa afirmação de quinta que não consegui sequer bolar uma resposta decente para o mala. Não deu tempo... Perdi as palavras! Pior que nos 40 minutos seguintes, amarguei uma raiva danada por não ter gritado qualquer coisa bem deselegante pro motorista machistinha. Que poderia ter sido, alguém tem algum palpite?
Esperamos descobrir ainda nesta vida... Enquanto isso, um perfil básico das Garotas de Segunda:
Paloma Lopes
Paloma Lopes é uma garota de segunda de primeira. Jornalista de 28 anos, acumula incontáveis títulos que lhe conferem vasta experiência para discorrer sobre temas ligados (injustamente, muitas vezes) ao lado B da vida. Por exemplo: é considerada (ainda) uma escritora de segunda. É também uma psicóloga-de-botequim de segunda. E o currículo não pára por aí: fotógrafa, cantora, cozinheira, motorista... tudo de segunda! Mas, como toda boa garota de segunda, Paloma espera ter seus dotes reconhecidos um dia. E como boa parte da humanidade, ela também é vítima da famosa TPS (Tensão Pré-Segunda). Prova disso é que sente fortes dores abdominais, acompanhadas de náuseas e arrepios, todas as vezes em que escuta, sem querer, a musiquinha do Fantástico.
Rosane Queiroz
Rosane Queiroz, jornalista de 39 anos, adora um bom bife de fígado acebolado e não resiste ao mundo kitsch. Coleciona sereias e tem uma queda especial pela cultura mexicana e as cores de Frida Khalo. Boleros e ritmos latinos, aliás, fazem parte de seu repertório - para ouvir e cantar. Sim, Rosane também é uma cantora B que sonha um dia fazer um show imperdível. Se bem que até já fez algumas cositas de primeira: escreveu um livro ( "Só - Dores e Delícias de Morar Sozinha", mas que não virou best-seller), trabalhou durante 15 anos na imprensa feminina, 10 deles como editora na revista Marie Claire, e é mãe da Anita, uma garotinha de 5 anos que é a coisa mais linda, fofa e inteligente do pedaço (ela é também uma mãe-coruja de primeira). No caso de Rosane, a TPS (Tensão Pré-Segunda) começa no fim da tarde de domingo: sua cabeça fica para explodir, caso ouça de longe a voz do Faustão.
Trocando em miúdos
Nem tudo o que parece de primeira, é. E tem muita coisa de segunda, que é de primeiríssima. Nós, Garotas de Segunda, vamos decifrar esse enigma para você. Sim, o lado B pode surpreender e se revelar classe A! Baladas, gente, atitudes, receitas... Afinal, nem só de filé mignon se vive. Fígado, moela e outros miúdos também entram no nosso menu. De coração... Sabe aquele pastel de feira incrível ou aquela balada trash divertidíssima? Você vai conferir aqui. Também daremos dicas de programas que podem milagrosamente salvar a sua segunda-feira (acredite, isso é possível). Se você, como nós, sofre de TPS (Tensão Pré-Segunda) e abomina atitudes de quinta, esse blog também é seu. Para sugestões de primeira, de segunda ou de quinta: rosanedesegunda@gmail.com e palomadesegunda@gmail.com
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No momento em que escrevo essas mal traçadas linhas o corpo de mestre Zu...
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Aqui encerro este pacote de pensamentos. Foram três anos de sabores
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extrair - mas...
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Você pode ter me tirado o chão, pode ter me dado muito pouco. Pode não ter
gostado de mim suficiente para deixar de lado a vida que você levava.
Mas acho qu...