segunda-feira, 19 de maio de 2008

Papo de bêbado não vale


Um bêbado caiu de pára-quedas na minha mesa. Foi no bar Filial, lotado como sempre, uma noite dessas. Éramos dois casais e uma amiga, quando lá pelas tantas o baixinho quarentão, barba grisalha, jeans e jaqueta branca, puxou a cadeira, sentou e disse: "Preciso de um conselho. Estou apaixonado por uma menina de 22 anos...". Silêncio no tribunal. Marina, a amiga, olhava o sujeito de canto, na linha "que cara sem noção!". Íris e Afonso ficaram na deles, pagando para ver. Mauricio, meu partner, resolveu botar pilha no bêbado: "Você faz o quê da vida, além de sentar na mesa de quem não conhece?", perguntou. Ele respondeu que era cineasta e tal, e eu emendei: "Por que escolheu justamente a nossa mesa?". "Boa pergunta!", ele se animou, como um palestrante de auto-ajuda. E, correndo os olhos pelos integrantes da mesa, em sentido horário, apontou primeiro a Marina: "Escolhi essa mesa porque ela tem uma cara inteligente", depois a Iris, "Porque ela tem uma cara inteligente", e depois o Afonso, "Porque ele tem uma cara inteligente", até chegar a mim: "... E porque ela tem uma cara 'razoavelmente' inteligente..." A mesa veio abaixo! Logo eu, que fiz a melhor pergunta! Bom, para resumir a ópera, ele ainda choramingou um tempo pela tal garota de 22 anos, que teria dito a ele que não quer se envolver porque "sempre esteve no controle", e com ele havia perdido o controle dos sentimentos (que desculpa furada!), enquanto Marina insistia que éramos todos membros da Igreja Universal do Reino de Deus, para ver se o bêbado debandava. Até que Afonso saiu de fininho e voltou com Joaquim, o garçom. Na maior calma do mundo, como se fizesse isso diariamente, Joaquim pegou a mochila do bêbado (ele tinha uma mochila!), e depois o bêbado, pelo braço. O mais engraçado é que ele acompanhou Joaquim, resignado, como um garotinho que pega sua mochila porque a perua da escola chegou para buscá-lo. E eu, ao contrário da minha colega Paloma, que se diz "psicóloga de botequim de segunda", vi que não tenho talento para a coisa. Papo de bêbado é sempre de quinta, mas vale umas risadas de primeira. Em tempo: no cardápio de carnes de segunda do Filial, tem "moelada" com fritas. Alguém se habilita?

3 comentários:

Valéria Martins disse...

Eu me habilito! Adoro moela!
Falando em bêbado, uma vez em São Tomé das Letras (MG), num bar, todo mundo meio bêbado em uma mesa, resolvemos pedir a alguém que tirasse uma foto nossa. O tal alguém tirou, agradecemos, tchau. De volta ao Rio, após revelar o filme, descobri... mais uma pessoa na foto. Um bêbado, bem com cara de bêbado, se esticando e abraçando a gente, sorriso ébrio no rosto. Tá lá até hoje. Morro de rir quando encontro essa foto. bjs

rosane queiroz disse...

Que barato, valeria!

O mais engraçado e que todo mundo tem uma historia de bebado invasor para contar
de repente rende um livro!

beijos!

Gis disse...

Acho que eu seria personagem e não autora de um livro sobre bebuns. hahhaha Já fiz cada uma. Pobres dos meus amigos! Ainda bem que agora meu regime não permite essas coisas. ahahaha Bjo.