sexta-feira, 4 de abril de 2008

No divã (de segunda)


“Conheci um cara de segunda e fui tratada como uma rainha de primeira”, confidenciou-me uma amiga no primeiro dia de vida do Garotas de Segunda. A partir de então, como psicóloga-de-botequim de primeira (sim, pois apesar da descrição sobre a minha pessoa aí ao lado, há controvérsias sobre a eficácia de minhas reflexões doidivanas), passei a ponderar sobre nossas idealizações quando a palavra-chave é essa coisa complicada – porém deliciosa – chamada relacionamento. Filosofia barata, admito, mas existencial. Tão rica que rende muito mais do que um ou dois posts. Rende um blog inteiro, ou mais. Sem viajar demais, que sou ótima nisso, vou apenas me pautar pela conversa com minha amiga: quis saber o porquê do tal carinha ter recebido esse rótulo “de segunda”. E ela, então, o descreveu fisicamente. “Baixinho, e nunca gostei de baixinhos. Além disso, não faz o estilo descolado, que é a minha praia”. Resumindo, o cara era "coxinha", certinho. E a menina é toda estilosa, poderosa. Porém, o rapaz a tratou como uma rainha – e não qualquer rainha, mas uma rainha "de primeira"! Apesar de estar feliz com isso, ela me pareceu desapontada por não ter encontrado alguém perfeito, “exatamente do jeito que ela gostaria que um homem fosse”. Na verdade, uso essa história apenas pra mostrar que vira-e-mexe, em diversas situações, somos assim mesmo, exigentes até o talo. Mas ouso arriscar um palpite: a vida seria monótona se todas as coisas fossem exatamente como queremos. Seria chata. No fim, esse papo todo me fez lembrar de uma das propostas deste blog: mostrar que pode haver muita coisa boa atrás de uma fachada sem sal. Em outras palavras, a essência é muito, muito mais valiosa do que qualquer embalagem. Afinal é ela, e só ela, que tem o real poder de nos presentear com a verdadeira felicidade.

3 comentários:

Renata Négri disse...

Cidade Limpa Reloaded! Adeus, embalagens fantasiosas que enchem os nossos olhos, mas deixam os nossos corações em cacos. Porque necessitamos enxergar o que está por dentro e essa essência só encontramos nos pequenos frascos. rs

Lindo texto, Pá!
E, pelo o que reparei, és também uma grande psicóloga. Quanto custa a consulta? rs

Besos. =)

Nicklanis disse...

Vou me esforçar pra lembrar disso! hehe

Cá Brogli disse...

amei...adorei esse post!

Realmente faz todo sentido: "O essencial é invisível aos olhos"...


beijos